Se os antigos romanos tivessem o Google Maps

O OmnesViae é um planejador de rotas moderno baseado nas estradas do Império Romano


Planeje sua viagem através do Império Romano com este planejador de rotas que os romanos nunca souberam que precisavam
Planeje sua viagem através do Império Romano com este planejador de rotas que os romanos nunca souberam que precisavam. (Crétdito: OmnesViae.org)

PRINCIPAIS CONSIDERAÇÕES

• Como nós, os romanos eram adeptos da navegação, exceto que eles utilizavam pergaminhos difíceis e desajeitados de se usar • Eles teriam adorado o OmnesViae, um prático planejador de rotas on-line, apenas para as estradas romanas • Útil, sim. Mas atravessar o império seria ainda uma tarefa de mais de 250 dias.


Por Frank Jacobs



Edição de Ortelius de 1598 do famoso Mapa Peutinger, em quatro folhas coloridas, cada uma contendo dois segmentos.
Edição de Ortelius de 1598 do famoso Mapa Peutinger, em quatro folhas coloridas, cada uma contendo dois segmentos. (Crédito: RareMaps.com / domínio público)

Em 20 a.C., o imperador Augusto instalou um enorme pilar dourado ao lado do Templo de Saturno no Fórum Romano. Este foi o Milliarium Aureum, ou Marco Dourado, a partir do qual as distâncias para as cidades em todo o império eram medidas – e o verdadeiro tema do ditado: omnes viae Roman ducunt (“Todos os caminhos levam a Roma”).


Atormentado por uma maré de azar na pequena cidade de Atuatuca (Tongreren, Bélgica), mostrada à esquerda? Faça as coisas certas reafirmando sua lealdade aos deuses em seus grandes templos em Agripina (Colônia, Alemanha), à direita. Essa viagem de apenas XLVI (46) milhas romanas o levará a Cortovallio (Heerlen, Holanda) e Iuliado (Jülich, Alemanha) em não mais que IV (quatro) dias.
Atormentado por uma maré de azar na pequena cidade de Atuatuca (Tongreren, Bélgica), mostrada à esquerda? Faça as coisas certas reafirmando sua lealdade aos deuses em seus grandes templos em Agripina (Colônia, Alemanha), à direita. Essa viagem de apenas XLVI (46) milhas romanas o levará a Cortovallio (Heerlen, Holanda) e Iuliado (Jülich, Alemanha) em não mais que IV (quatro) dias. (Crédito: OmnesViae.org)

Era uma ostentação com mais do que um pouco de verdade. A extensa rede de estradas bem projetadas e preferencialmente retas do Império Romano era uma de suas principais características unificadoras, um fato do qual o próprio Augusto estava muito ciente. Ele dedicou um esforço considerável em sua reforma da administração rodoviária, construiu várias estradas do seu próprio bolso e criou um serviço de correio para otimizar a utilidade da rede. Não é a toa que sua lista de honrarias incluiu o título de Curator Viarium (“Administrador das Estradas”).


As estradas de Roma realmente unificaram o império


Em seu auge, o cursus publicus de Roma (“rede de estradas públicas”) consistia em cerca de 380 estradas interconectadas, totalizando cerca de aproximadamente 80.000 km. Estações de passagem e marcos facilitavam o movimento de comerciantes e soldados. Em outras palavras, elas eram vetores para a extensão da riqueza e do poder de Roma. E elas realmente unificaram o império. Encontre-se em qualquer lugar da rede, desde os desertos congelados do norte da Britânia até as margens do Golfo Pérsico, e você poderá facilmente encontrar o caminho de volta a Roma.


Você é um administrador local em Lutetia (Paris; no canto superior esquerdo) e está sendo convocado de volta a Roma (no centro da bolha urbana no meio da Itália) – provavelmente porque você matou toda aquela aldeia rebelde gaulesa. Mas você será elogiado por sua força ou rebaixado por provocar a rebeldia? Você tem uma viagem de DCCLXIX (769) milhas romanas, levando LII (52) dias para agonizar sobre o futuro de sua carreira.
Você é um administrador local em Lutetia (Paris; no canto superior esquerdo) e está sendo convocado de volta a Roma (no centro da bolha urbana no meio da Itália) – provavelmente porque você matou toda aquela aldeia rebelde gaulesa. Mas você será elogiado por sua força ou rebaixado por provocar a rebeldia? Você tem uma viagem de DCCLXIX (769) milhas romanas, levando LII (52) dias para agonizar sobre o futuro de sua carreira. (Crédito: OmnesViae.org)

Facilmente talvez, mas não necessariamente rapidamente. Na falta de transporte motorizado, os romanos só podiam viajar tão rápido quanto as pernas podiam carregá-los – as suas próprias, ou se pudessem pagar, as de seus cavalos. Infelizmente, a Roma antiga também não tinha uma conexão decente à Internet, caso contrário, os viajantes poderiam ter consultado o percurso e a duração de sua viagem no OmnesViae.com, o planejador de rotas on-line que os romanos nunca souberam que precisavam.


O OmensViae apoia-se fortemente na Tabula Peutingeriana, a coisa mais próxima que temos de um genuíno itinerarium (“mapa”) do Império Romano. A Roma Antiga certamente tinha mapas, mas nenhum daquela época sobreviveu. O Mapa Peutinger, um pergaminho do século 13, é uma cópia de um mapa muito mais antigo, que está a apenas a duas “hipóteses” de distância do próprio Administrador das Estradas: Pode datar do século IV ou V, e essa versão pode ser uma cópia de um mapa preparado para Augusto por volta do ano 1 d.C.


Se este fragmento de mármore, escavado perto do Tempo de Saturno em 1835, formou a base do Marco Dourado, há controvérsias (A placa de identificação não é antiga)
Se este fragmento de mármore, escavado perto do Tempo de Saturno em 1835, formou a base do Marco Dourado, há controvérsias (A placa de identificação não é antiga). (Crédito: NN / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

Um argumento a favor da relação com Augusto: o mapa inclui a antiga Pompéia, que foi destruída por uma erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. e nunca reconstruída, o que a aponta para uma origem anterior (A Pompéia moderna foi fundada apenas em 1891). No entanto, ela também inclui Constantinopla e destaca Ravenna, o que sugere que o mapa copiado por aquele monge anônimo do século XIII era uma versão atualizada do século IV (no mínimo), ou mais provavelmente do V, uma vez que exibe o nome Francia (França) – em homenagem à recém-chegada tribo germânica dos francos – no que até então era conhecia exclusivamente como Gallia (Gália).


Os mapas romanos eram como... Mapas de metrô?


Qualquer que seja sua idade, a forma da Tabula – Cerca de 33 centímetros de altura e 6,75 metros de comprimento – nos diz que ela não pode ser topograficamente precisa. Em vez disso, ela foca em apresentar corredores e conectores rodoviários, com algumas ramificações que atravessam a Pérsia até a Índia. Ao sacrificar a precisão topográfica para a conectividade da rede, o Mapa Peutinger é estranhamente reminiscente (ou deveria ser “preditivo”) do mapa de metrô de Londres e outros mapas de metrô modernos.


A aproximação das seções da rede viária romana mostrada em cada um dos 12 segmentos originais do Mapa de Peutinger. Observe que a primeira seção, contendo a Espanha e a Grã-Bretanha, foi perdida.
A aproximação das seções da rede viária romana mostrada em cada um dos 12 segmentos originais do Mapa de Peutinger. Observe que a primeira seção, contendo a Espanha e a Grã-Bretanha, foi perdida. (Crédito: Gpedro / Wikimeda Commons, CC BY-SA 3.0)

Geolocalizando os milhares de pontos de Peutinger, a OmnesViae reformata as estradas e destinos do pergaminho em um mapa paisagístico mais familiar. A rota mais curta entre dois pontos (antigos) é calculada usando as distâncias percorridas pelas estradas romanas em vez das modernas, levando também em consideração os rios e montanhas que a rede deve atravessar.


O Peutinger, apesar de todo o seu valor histórico, não está completo: é sentida a falta da Grã-Bretanha e da Espanha. As estradas dessas províncias romanas foram reconstruídas usando outras fontes, incluindo o Itinerarium Antonini, um registro (em vez de um mapa) de estradas romanas, estações de passagens e distâncias, possivelmente com base em um levantamento de todo o império realizado na época de Augusto.


Adeus, sacos de farinha!


Então, qual é a maior distância que você poderia percorrer nas estradas romanas? De Blatobulgium a Volocesia deve chegar bem perto.


Blatobulgium era um forte romano no que hoje é Dumfriesshire, na Escócia, no terminal norte da Rota 2 no Itinerarium Antonini (também conhecido como Watling Street). O nome do forte, de origem britânica, pode significar algo como “Sacos de Farinha” – uma referência aos celeiros do local. Ele foi ocupado por cerca de um século após 79 d.C.


Quase o mais longe que você podia viajar nas estradas romanas era da atual Escócia ao Kuwait (Os pontos incial e final são marcados por círculos). A rede rodoviária do Mapa Peutinger se ramifica mais a leste em direção à Índia. O mapa carece de informações sobre a Espanha e a Grã-Bretanha, que foram extrapoladas de outras fontes (e marcadas em cinza neste mapa)
Quase o mais longe que você podia viajar nas estradas romanas era da atual Escócia ao Kuwait (Os pontos incial e final são marcados por círculos). A rede rodoviária do Mapa Peutinger se ramifica mais a leste em direção à Índia. O mapa carece de informações sobre a Espanha e a Grã-Bretanha, que foram extrapoladas de outras fontes (e marcadas em cinza neste mapa). (Crédito: OmnesViae.org)

Volocesia, localizada pela OmnesViae perto da Ilha kuwaitiana de Bubiyan, às vezes é identificada com um lugar moderno chamado Abu Halafiya, às margens do Tigre, no sul do Iraque. De acordo com a OmnesViae, a distância entre ambos é MMMDCCLI (3.751) milhas romanas (pouco mais de 5.600 km). Essa viagem levaria CCLI (251) dias para ser concluída.


Essa não é uma viagem para empreender casualmente, mas uma jornada que altera a vida de uma pessoa (e possivelmente o fim da sua vida). Pensando bem, o mesmo pode ser dito hoje de uma caminhada (ou mesmo um passeio a cavalo) da Escócia ao Kuwait – e isso com o Google Maps.

#curiosidadescartograficas





Fonte: https://bigthink.com/strange-maps/omnesviae-roman-roads-map/


Publicado na página Curiosidades Cartográficas do Facebook em: https://www.facebook.com/curiosidadescartograficas/posts/pfbid0MLYkTiMNqZyBt6marHSz5hL9zSVxzT5bVqYomegtysK8QaZx7Zb1aWDSXLFYnSdrl

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