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O mapa mais antigo da Terra Santa é na verdade um magnífico mosaico

Descoberto em uma remota cidade otomana em 1884, o mapa de Madaba é uma obra-prima do design bizantino e um mapa funcional de Jerusalém e do Oriente Médio do século VI.



Um detalhe do Mapa de Madaba revela como seus criadores imaginaram o mundo de cima. A grande massa de água é o Mar Morto, e a cidade murada central é Jerusalém. ERICH LESSING/ALBUM

As tensões entre muçulmanos e cristãos na década de 1880 no que hoje é a Jordânia chegaram a um acordo. Os cristãos poderiam se mudar para uma cidade chamada Madaba com a condição de que só pudessem construir igrejas em locais onde antes já haviam igrejas. A proposta tinha certa lógica, pois embora Madaba a essa altura fosse um posto avançado empoeirado e obscuro no Império Otomano, durante o período bizantino ela fora uma próspera cidade cristã.


Em 1884, os Cristãos Ortodoxos Gregos recém-estabelecidos ali, queriam construir uma nova Igreja de São Jorge sobre o antigo local. Eles limparam devidamente o que tinha sido a antiga igreja e fizeram uma descoberta impressionante: sob os escombros havia um enorme mosaico de um detalhado mapa. Embora danificado em alguns lugares, sua miríade de fragmentos coloridos ainda representava locais em toda a Terra Santa, incluindo Jerusalém, com detalhes deslumbrantes. (Novos tesouros estão sendo desenterrados sob Jerusalém).



O Mapa de Madaba foi incorporado à nova igreja de São Jorge, em Madaba, Jordânia. O mosaico foi encontrado quando as ruínas da antiga igreja bizantina foram removidas em 1884. MARIA BREUER/AGE FOTOSTOCK.

Um achado único


Os moradores ficaram entusiasmados, mas a descoberta demorou a atrair a atenção das autoridades Cristãs Ortodoxas Gregas em Jerusalém, que então estavam sob o domínio Otomano. Somente uma década depois, em meados da década de 1890, o bibliotecário do patriarcado de Jerusalém, Kleopas Koikylides, visitou Madaba para inspecionar o achado. Ele percebeu imediatamente a importância da obra de arte. Os mosaicos que adornam o chão das igrejas bizantinas geralmente representam cidades e monumentos em um sentido pictórico. Embora o mosaico de Madaba tenha tais elementos pictóricos - edifícios apresentados em detalhes naturalistas e representações vívidas de objetos e animais - seu design, uma vista aérea da região, era único.


Koikylides escreveu uma monografia sobre ele em 1897, e a Sociedade Alemã para a Exploração da Palestina realizou as primeiras pesquisas mais abrangentes do mosaico no início do século XX. Em 1965, um grande projeto de restauração foi realizado pela mesma sociedade sob a direção de Heinz Cüppers e de Herbert Donner. A essa altura, seu significado era claro: uma obra-prima cartográfica, o mosaico de Madaba é o mapa mais antigo da Terra Santa. (Torre de Babel exibida no antigo mosaico da sinagoga)



O Mapa Mosaico de Madaba, fotografia de 1905 da Igreja de São Jorge, em Madaba, Jordânia. BRIDGEMAN/ACI

Juntando os pedaços


A precisão cartográfica do Mapa de Madaba permitiu aos estudiosos identificarem pontos de referência em sua representação de Jerusalém. Entre elas está a Nova Igreja de Santa Maria, Mãe de Deus, consagrada em 20 de novembro de 542.


Várias outras igrejas em toda a Terra Santa também podem ser identificadas graças ao alto nível de detalhes artísticos. Muitos desses monumentos são mencionados em documentos sobre a Terra Santa escritos nessa época, que poderiam ter sido uma fonte de informação para os construtores do mosaico. Uma das fontes poderia ser um relato escrito por volta de 570 por um peregrino italiano à Terra Santa.

O Mapa de Madaba apresenta decorações e representações de objetos e animais. ALBUM

Outras pistas oferecem uma possível data mais recente para a datação do mapa. Um mosteiro em Gaza, construído no local do nascimento de Santo Hilário do século IV, está claramente marcado; ele foi construído em 614, na época em que o rei Persa Sassânida Khosrow II invadiu a Palestina em sua guerra com os bizantin os. Dado que o mapa não reflete a destruição do mosteiro, o mosaico teve que ser criado em algum momento entre 542 e 614, possivelmente durante o reinado do imperador Bizantino Justiniano, o Grande, que morreu em 565. (A dinastia Sassânida levantou-se para desafiar Roma)


Seções do Mapa de Madaba foram muito danificadas, particularmente suas porções leste e norte. Danos causados por fogo e pela queda de alvenaria podem ter sido infligidos pelos exércitos Sassânidas. A adoração continuou na Igreja de São Jorge, no entanto, e Madaba, que mais tarde se rendeu aos muçulmanos, foi poupada da destruição. Figuras mal reparadas sugerem que elementos ilustrativos do mosaico podem ter sido desfigurados por ordem do califa Yazid II, do século VIII. A Igreja de São Jorge foi provavelmente destruída por um incêndio no século VIII.


A estreita janela de datação significa que os arqueólogos podem fazer referências cruzadas para datar os achados arqueológicos. O mapa mostra uma estrada larga dentro do Portão de Jaffa em Jerusalém. Em 2010, evidências sólidas dessa estrada foram finalmente descobertas, reforçando ainda mais a visão dos estudiosos de que o mosaico de Madaba não é apenas uma bela e complexa obra de arte, mas um registro cartográfico de outra época.

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Fonte: https://www.nationalgeographic.com/history/history-magazine/article/madaba-mosaic-oldest-map-jerusalem-holy-land


Publicado na página Curiosidades Cartográficas no Facebook em: https://www.facebook.com/curiosidadescartograficas/posts/1637529179773943




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