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Faça um tour virtual pelos assassinatos da Londres medieval

Você verá que as igrejas oferecem um pequeno santuário.



Um vislumbre do mapa de assassinatos medievais.
Um vislumbre do mapa de assassinatos medievais. CENTRO DE PESQUISA SOBRE VIOLÊNCIA, UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE/USADO COM PERMISSÃO

NO FINAL DE OUTUBRO DE 1323, na véspera da festa dos Santos Simão e Judas e à sombra da Catedral de São Paulo em Londres, um assalto deu errado. De acordo com o relatório do legista, um francês conhecido como John de Chartres tinha acabado de jantar com seus cúmplices, William de Woodford e sua esposa Johanna, em sua residência na Milk Street. Eles se esgueiraram até a Bread Street e invadiram a casa que tinham escolhido para assaltar e a saquearam sistematicamente como planejado. Mas então, William notou que “John estava então cheio de remorsos”. Sem querer correr nenhum risco, Willian pediu educadamente a John que acendesse uma fogueira na cozinha. Enquanto John se ajoelhava sobre as chamas, William o atingiu com um machado, e então tentou queimar as provas – isto é, o John.


Este é um dos 142 contos de mutilações e assassinatos medievais que você não sabia que existia. Todos eles estão agora ao seu alcance graças a um mapa interativo de Londres que foi lançado em 28 de novembro de 2018, cortesia do Centro de Pesquisa sobre Violência da Universidade de Cambridge. O mapa, projetado pelo diretor do centro, Manuel Eisner, aponta os locais (ou quase) onde os assassinatos ocorreram na primeira metade do século XIV e permite aos usuários filtrar os homicídios por gênero da vítima, tipo de cena do crime, ano, arma utilizada e localização. Os dados vêm de relatórios de legistas emitidos entre 1300 e 1340.


Se deslocar pelo mapa é como sacudir um medonho bolso de dinheiro medieval, cada clique fornece uma nova história de assassinato e tormento: vingança sangrenta sobre uma túnica roubada, um peixeiro esfaqueado por sua amante e até mesmo um homem morto por um capelão, depois de ser encontrado “reunido” com o amante do capelão. Mas Eisner também compilou algumas estatísticas úteis para fornecer uma noção do quadro geral da época: 76,8% dos assassinatos foram cometidos entre 17h e 22h. 52,8% deles ocorreram em ruas ou praças públicas, 56,3% envolveram facas longas ou curtas, e 31% deles ocorreram aos domingos. Isso é mais provável, explica o Centro de Pesquisa sobre Violência, porque as pessoas tinham tempo extra para beber e jogar aos domingos – ambos os quais podem ser motores de conflito interpessoal. Também é importante notar que seis assassinatos ocorreram em tabernas – o mesmo número que em edificações religiosas. Os prostíbulos registraram apenas dois casos. Houve apenas um assassinato por projétil, quando um criado disparou uma flecha indiscriminadamente contra uma multidão em conflito e matou um peleiro chamado Simon de la Fermorie.


A antiga Catedral de São Paulo, em Londres, foi construída em 1314 e destruída no Grande Incêndio de Londres em 1666. No início do século XIV, edifícios religiosos viram tanto assassinatos quanto as tabernas.
A antiga Catedral de São Paulo, em Londres, foi construída em 1314 e destruída no Grande Incêndio de Londres em 1666. No início do século XIV, edifícios religiosos viram tanto assassinatos quanto as tabernas. BOND FRANCIS / DOMÍNIO PÚBLICO.

No total, a taxa anual de homicídios em Londres durante este período é cerca de 15 a 20 vezes maior do que o que os pesquisadores esperariam de uma cidade igualmente populosa no Reino Unido de hoje. É uma comparação interessante, mas, como o Centro observa, bastante enganosa. Temos meios mais avançados de matar, mas também muito mais avançados de cuidados de emergência, e ninguém sabe como eles se equilibram.


O que está claro é que alguns dos lugares mais mundanos de Londes já viram muitas mortes. Graças a mapas como o mapa de Eisner e o mapa histórico da escavação da peste do Reino Unido (mostrando onde os corpos foram enterrados depois que um surto de peste na década de 1660 matou 100.000 residentes), você sempre pode saber onde está - embora talvez não queira saber disso.







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